Estamos nos aproximando de um novo pleito eleitoral. Em 2012, os eleitores brasileiros voltam às urnas para escolherem os seus representantes nos Municípios de todo país.
Por faltar menos de 10 meses, os debates sobre os problemas enfrentados pela sociedade brasileira ganham força na mídia e entre a classe política. Nada diferente se não tivesse se tornado um hábito ao se aproximar as campanhas eleitorais.
O que é importante ressaltar é que, entra ano e sai ano, as discussões são as mesmas e os representantes eleitos são os mesmos. Como isso acontece? A forma do processo eleitoral brasileiro pode explicar. Campanhas milionárias e votos de cabresto, muitas vezes comprados, deixando de lado qualquer tipo de compromisso futuro.
CJ. Sr. Paulo Cerri, você acredita que só haverá mudança, com uma grande mobilização e conscientização popular?
PAULO CERRI. Creio que o Congresso Nacional fará a Reforma Política, e eleitoral por consequência, que a sociedade e o País necessitam. Esse é um tema bom para ser analisado em primeiro ano de Legislatura, portanto em 2011, mas, o Congresso deixou passar, mais uma vez, e não fará nesse ano. Em 2013 é pouco provável porque é ano pré eleitoral. Creio que ficará para 2015, já com um novo Congresso eleito. Mas é muito importante suscitar e trazer esse tema ao debate para que a sociedade vá se interessando e percebendo a importância de cobrar de seus eleitos o compromisso com as reformas.
CJ. A política não é profissão, tem que ser contribuição, prestação de serviços e aplicação de conhecimento em busca do bem estar comum, seria esse o motivo de tantos parlamentares estarem trocando de partidos e indo para o PSD?
PAULO CERRI. Também este é um motivo importante. Muitos Parlamentares viram no nascimento do PSD uma possibilidade única para exercerem suas idéias e convicções sem as amarras habituais dos Partidos tradicionais. Serão parte, também, de um processo novo, da formulação do Programa Partidário, da fixação de seus compromissos e da configuração da imagem do Partido na sociedade. Esse é um processo que só o PSD, como Partido novo no Brasil, pode proporcionar aos que gostam de fazer política com "P" maiúsculo. O PSD já nasceu grande e vigoroso. Crescerá muito nos próximos anos e já a partir das eleições de 2012.
CJ. Os recentes escândalos envolvendo parlamentares têm revelado ações de grandes corporações e esquemas políticos, principalmente aqui no Estado do Rio de Janeiro. Fazendo com que o uso do "poder bélico financeiro" em uma campanha seja cada vez maior. Isso impossibilita que o candidato com as melhores propostas vença, como o Sr. vê isso?
PAULO CERRI. Não creio. Já vi candidatos milionários perderem eleições e candidatos que disputaram em condições franciscanas serem eleitos. Em eleições majoritárias, claro, quem conta com maior poder material leva vantagem, são poucos candidatos, em geral, 4 ou 5, e conta muito essa vantagem. Ter mais poder financeiro, entretanto, não significa vencer a eleição por antecipação. Há fatores imprevisíveis que repousam na resultante da relação racionalidade/emoção do eleitor. Em eleições proporcionais, de Vereadores e Deputados, conta muito o discurso do candidato, seus compromissos para o futuro, vínculos distritais, a pré campanha que ele realizou e os apoios que conseguiu organizar. É evidente que um bom candidato, com boas propostas, e apoio financeiro tem grandes chances.
CJ. Sr. Paulo Cerri, acredita que o Brasil poderia estar ainda melhor se não ocorresse tanta corrupção?
PAULO CERRI. Sem dúvida. Se não houvesse tanta corrupção e tanta impunidade. O problema da impunidade é gravíssimo entre nós, enraizado na nossa cultura, como que a estimular a prática dos delitos que nos apresentam no dia a dia. O Congresso Nacional precisa legislar de maneira mais severa sobre esse tema.
CJ. Como se pode mudar este processo?
PAULO CERRI. A imprensa, de modo geral, e da sua maneira, com suas imperfeições naturais, tem prestado um grande serviço ao País. Tem aberto as feridas para a Nação. O Congresso Nacional tem uma enorme responsabilidade no enfrentamento do problema da corrupção como elemento endêmico na política brasileira. Cabe a Senadores e Deputados Federais a revisão das Leis e dos processos que, de alguma maneira, estimulam e "protegem" a corrupção, os corruptos e os corruptores. Precisa haver vontade e determinação política. Esse é o trabalho primordial. E é de natureza POLÍTICA. Esse basta à corrupção não será um "caso de polícia" nem um "caso de Justiça". É um "caso POLÍTICO a ser debatido e decidido no Congresso Nacional.
A Sociedade pode e deve, entretanto, desempenhar um papel absolutamente essencial. Pressionar, cobrar, punir recusando seu voto a quem não se comprometa com esses princípios e tenha passado limpo, exigir essa posição do Congresso Nacional. Pressionar sempre. Agora mesmo há uma campanha meritória, com envolvimento de setores da sociedade, para levar o Congresso a enquadrar o crime de corrupção como crime hediondo. É um bom ponto de partida.
CJ. O que o Sr. Paulo Cerri orientaria a população para buscar uma mudança?
PAULO CERRI. Em primeiro lugar orientaria para que buscasse se informar sempre mais e, por via de consequência, aumentar seu interesse pela Política. As mudanças ocorrem, com mais rapidez e eficácia, quando as razões de fundo que as determinam chegam a sensibilizar setores influentes da sociedade. Então os Partidos Políticos se movem, instituições se acercam e se mobilizam, e as mudanças ficam mais próximas e com perspectivas de maior permanência. Mudar é sempre difícil. Mas é sempre possível.
CJ. Quais as expectativas do Sr. Paulo Cerri com relação ao ano de 2012?
PAULO CERRI. É um ano eleitoral e como tal proporcionará, em certo momento, um interesse maior da sociedade pela política e uma aproximação maior com os políticos. Teremos eleições difíceis do ponto de vista político, num ambiente de desconfiança, desestímulo e desesperança da população, decorrentes dessa infindável onda de revelações e escândalos inacreditáveis que comprometem tanta gente que milita em Governos e na atividade Legislativa. O maior papel dos candidatos a Prefeito e Vereador, dos militantes e dos Partidos Político, na minha maneira de ver, será o de procurar motivar o eleitor. É preciso conseguir demonstrar que só vamos superar essas situações de constrangimento e sombras da vida política no Brasil através do incremento do interesse da população pela atividade política. Mostrar que da política e dos políticos e só deles depende a qualidade dos transportes públicos, do atendimento nos hospitais e da educação que se oferece às crianças nas escolas. Procurar mostrar que o cidadão que abre mão de influir na vida da sua cidade, do seu País, através do seu voto e sua participação, delega a outros essa influência e as decisões decorrentes. Será preciso um grande e sério trabalho de motivação sobre os eleitores.
